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EUA e Irã declaram vitória em trégua de duas semanas
Acordo prevê reabertura do Estreito de Ormuz, mas Israel nega aplicação do cessar-fogo ao Líbano e tensão ainda persiste na região
Por Redação Tupancy
Publicado em 08/04/2026 09:20
Mundo
Conflito começou em 28 de fevereiro com a ofensiva conjunta israelense-americana contra o Irã Foto : ATTA KENARE / AFP

Os Estados Unidos e o Irã declararam vitória nesta quarta-feira (8), após concordarem com um cessar-fogo de duas semanas que deverá permitir a reabertura do Estreito de Ormuz, mas que, segundo Israel, não se aplicará ao Líbano. "Uma vitória total e completa. 100%. Sem dúvida", disse o presidente dos EUA, Donald Trump, à AFP por telefone, logo após o anúncio.

Ele também afirmou que a questão do urânio iraniano, que os países ocidentais alegam poder ser usado para fabricar armas nucleares, seria "perfeitamente resolvida". "O Irã alcançou uma grande vitória", declarou o Conselho Supremo de Segurança Nacional do Irã, afirmando que "o inimigo sofreu uma derrota inegável, histórica e esmagadora".

 

Irã negocia com EUA no Paquistão

As autoridades iranianas anunciaram negociações com representantes de Washington a partir de sexta-feira no Paquistão, que tem desempenhado um papel fundamental como mediador. Mas em Teerã, os iranianos têm dúvidas sobre o futuro da região.

"Meus amigos mais próximos e eu estamos um pouco confusos. Para que serviu tudo isso? Atacaram instalações nucleares e de mísseis para ganhar tempo, mas, na realidade, nada mudou para o povo do Irã", disse à AFP um corretor da bolsa de 30 anos. "A República Islâmica agora se sente vitoriosa, e não acho que isso dará muitas opções aos americanos nas negociações", acrescentou.

 

Trump exige abertura de Ormuz

O conflito começou em 28 de fevereiro com a ofensiva conjunta israelense-americana contra o Irã, que, em seu primeiro dia, resultou no assassinato do líder supremo Ali Khamenei. No mesmo dia, Trump pediu a queda da República Islâmica, posição que posteriormente abandonou.

Em 2 de março, o conflito se espalhou para o Líbano, onde o exército israelense luta contra o movimento pró-iraniano Hezbollah, apoiado por Teerã. O presidente americano exigiu que o acordo garantisse a abertura "total, imediata e segura" do Estreito de Ormuz, vital para o fornecimento global de hidrocarbonetos, e anunciou na Truth Social que as negociações estão "muito avançadas" para uma paz duradoura.

O Irã propôs a Washington um plano de dez pontos para garantir a paz, que inclui o reconhecimento, por Washington, do programa de enriquecimento de urânio iraniano, além da suspensão de todas as sanções que têm prejudicado sua economia há anos. O documento, publicado pelo Conselho Supremo de Segurança Nacional e divulgado pela mídia estatal, inclui "o princípio da não agressão, a manutenção do controle iraniano sobre o Estreito de Ormuz, a aceitação do enriquecimento de urânio e a suspensão de todas as sanções primárias e secundárias".

"O Irã realizará negociações com os Estados Unidos em Islamabad, capital do Paquistão, por um período de duas semanas", indicou o Conselho, especificando que "isso não significa o fim da guerra" e que esse período poderá ser prorrogado "por mútuo acordo entre as partes". O ministro das Relações Exteriores, Abbas Araghchi, confirmou na rede X que os líderes iranianos concordaram em reabrir o Estreito de Ormuz "por um período de duas semanas" "se os ataques contra o Irã cessarem".

 

Tensão permanece apesar da trégua

O anúncio do cessar-fogo ocorreu uma hora antes de expirar o último de uma série de ultimatos enviados por Trump ao Irã. Desta vez, Trump ameaçou erradicar "uma civilização inteira" caso Teerã não reagisse até a meia-noite GMT de quarta-feira. "Tenho o prazer de anunciar... um cessar-fogo imediato em todos os lugares, incluindo o Líbano e outros, COM EFEITO IMEDIATO", disse o primeiro-ministro paquistanês, Shehbaz Sharif, cujo país desempenhou um papel fundamental no acordo.

Israel, contudo, negou pouco depois que o cessar-fogo também se aplicasse ao Líbano e, de fato, emitiu uma ordem de evacuação para vários bairros no sul de Beirute, reduto do movimento pró-Irã Hezbollah, com o qual está em guerra novamente desde 2 de março. Desde o início do conflito, pelo menos 1.500 pessoas morreram, segundo uma contagem das autoridades libanesas.

Apesar de todos esses anúncios, algumas horas depois, duas pessoas ficaram feridas nesta quarta-feira no Bahrein por um drone iraniano, disseram as autoridades. O exército israelense informou que o Irã lançou três rajadas de mísseis em direção ao seu território logo após o anúncio de Trump. Israel "permanece em alerta máximo, pronto para responder a qualquer violação" do cessar-fogo, afirmou.

 

Mercado reage ao cessar-fogo

Após o acordo, os preços do petróleo, tanto WTI quanto Brent, despencaram para menos de US$ 100 (R$ 516), depois de atingirem cerca de US$ 120 (R$ 619) no auge da crise. Na Ásia, as bolsas de valores de Tóquio (+5,4%) e Seul (+7%) fecharam com altas significativas.

Apesar do otimismo do mercado, a Iata alertou que levará "meses" para normalizar o fornecimento de combustível e afirmou que um aumento nos preços das passagens aéreas é "inevitável". No Iraque, onde grupos pró-Irã lançaram ataques contra interesses americanos no País desde o início da guerra, uma aliança de facções anunciou no Telegram a "suspensão de suas operações" por duas semanas.

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