O Litoral Norte do Rio Grande do Sul tem enfrentado um aumento alarmante no número de queimaduras por águas-vivas nesta temporada.
Somente na terça-feira (6), a região registrou mais de 3 mil novos casos, um número que, por si só, supera o total de incidentes em todo o
litoral norte gaúcho no mesmo período do ano passado, que contabilizou 9,1 mil ocorrências. A Operação Verão já contabiliza mais de
23 mil queimaduras, evidenciando a gravidade da situação.
Diminuição Recente e Fatores Contribuintes
Apesar dos números expressivos, os bombeiros observaram uma diminuição nos ataques nos últimos dias. Segundo o tenente-coronel Vinícius Lang, coordenador administrativo da Operação Verão, essa queda pode ser atribuída a uma combinação de fatores naturais e à redução do público nas praias.
"Nos últimos dias tivemos uma ondulação de Sul que, além de trazer essa ressaca, carrega água mais fria e afasta as águas-vivas. Também tem o fator de o feriado ter acabado, o pessoal foi embora e os casos acabam diminuindo ainda mais", ressalta Lang.
Ranking das Cidades Mais Afetadas
A Operação Verão deste ano revelou um ranking das cidades mais impactadas pelas queimaduras de águas-vivas no Litoral Norte:
Torres: 9.878 casos Arroio do Sal: 4.558 casos Capão da Canoa: 4.094 casos Capão Novo: 3.842 casos
Por que o Aumento?
Especialistas explicam que o aumento de queimaduras está diretamente ligado às correntes de água quente, impulsionadas pelo vento Nordeste, que atraem um maior número de águas-vivas para a costa gaúcha.
O biólogo Maurício Tavares, do Ceclimar/UFRGS, destaca as espécies mais perigosas encontradas na região:
•"Reloginho": Pequena, transparente, com tentáculos rosa e laranja, é a principal responsável pela maioria das queimaduras.
•Caravela portuguesa: Embora não seja tecnicamente uma água-viva, pertence ao mesmo grupo. Caracteriza-se por tentáculos longos e coloração azul e roxa.
Como Agir em Caso de Queimaduras
O Corpo de Bombeiros orienta os banhistas sobre os procedimentos imediatos em caso de contato com águas-vivas:
1.Remoção cuidadosa: Retire os tentáculos da pele com cautela.
2.Lave com água do mar: Utilize água do mar para lavar a área atingida. Nunca use água potável, pois pode piorar a situação.
3.Procure um salva-vidas: As guaritas de salva-vidas dispõem de vinagre, que é eficaz para neutralizar a toxina.
O tenente-coronel Vinícius Lang reforça as recomendações:
"Não se deve utilizar urina, areia ou mesmo água potável na lesão. O recomendado é apenas vinagre e água do mar. Em caso de agravamento, é importante procurar atendimento médico."
Diante do cenário, a conscientização e a prevenção são fundamentais para os frequentadores das praias do Litoral Norte gaúcho. Seguir as
orientações dos bombeiros e estar atento às condições do mar pode garantir uma temporada mais segura e agradável para todos.